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Em 1997, Júlio Linhares, ex-guitarrista da célebre banda curitibana Pinheads (que havia acabado em novembro do ano anterior) começou a pegar alguns títulos de bandas independentes de quem era amigo em São Paulo e Rio de Janeiro e iniciou uma comercialização informal juntamente com as demos de sua ex-banda. Mauricio Singer, fiel escudeiro dos Pinheads também andava fazendo algo semelhante, inclusive deixando consignados em lojas cd’s de selos como Orphan e Pecúlio, que iniciavam suas atividades naquela época. Começava a surgir a Barulho mas até então nenhum dos dois sabia disso.

No mesmo ano, Júlio resolve, em parceria com seus amigos Rodrigo Acras e Fabian Oliveira, da banda Confusion, investir em uma nova idéia: fabricar um cd, com uma tiragem de 1000 cópias e fazer a divulgação e distribuição do mesmo. O cd escolhido foi, é claro, o do próprio Confusion, lançado no ano seguinte. Aí sim nasceu de vez a Barulho Hardcore Company.

Depois de sua ‘inauguração’, com o barulho0001, a equipe partiu para um novo projeto e inauguraram um formato que já ficou célebre e já começa a ser imitado (no bom sentido) por outros selos brasileiros: seis bandas, cada uma com direito a um espaço de pouco mais de 12 minutos (com isso, aproveitava-se todo o espaço proporcionado por um cd, 74 minutos). Era como se cada banda lançasse uma demo-tape e o selo lançasse todas as demos no mercado. Como o formato ‘demo’ já estava ficando ultrapassado e já se tornara mais fácil e viável lançar um cd, uniu-se então o útil ao agradável. Cada banda entrava com sua gravação e com uma parcela para a prensagem das 1000 cópias da coletânea e o selo se encarregava de toda a parte operacional, burocrática e de distribuição e divulgação. Além disso, a coletânea serviria como uma reveladora de talentos e dela poderia sair uma ou mais bandas que gravariam um cd somente seu. Saiu então, ainda em 98, o barulho0002, "Punk Rock Stamp".

Aí já não tinha mais volta. Todo dia Júlio recebia demos de bandas pedindo para entrar em coletâneas e os selos independentes que começaram a se multiplicar pelo Brasil, já viam na Barulho um bom canal de distribuição de seus títulos. Júlio iniciou então uma distribuição organizada para algumas lojas de discos de Curitiba, além de vender em shows. No início de 99 já saiu a segunda coletânea, "Barulho Tapes" e antes do final do primeiro semestre o cd da banda carioca Noção de Nada. O Pullover (banda curitibana que tem dois ex-parceiros de Júlio nos Pinheads, Dudu e Paulo, além do próprio Mauricio Singer) havia gravado um disco em março e tinha proposta para lançar pela Spicy. Júlio foi mais astuto e bancou o cd do Pullover na metade de 99, época em que Mauricio se associou oficialmente a Júlio na já chamada Barulho Records. Em seguida vieram a antologia "Choices Made", da banda santista White Frogs, licenciada pelo selo gringo Flytrap, mais uma coletânea de seis bandas ("Hey Punk Rockers"), o ótimo cd de mais uma banda carioca, os Rivets, o projeto iniciado em janeiro por Mauricio e Fabian, o tributo aos Pinheads e mais um cd do Confusion, o EP "Joy And Sadness", lançado somente em fevereiro de 2000. A dupla partiu para os gringos: a banda Bambix, da Holanda, através do selo alemão Vitaminepillen, licenciou a edição no Brasil do quarto e mais recente álbum da banda, "Leitmotiv", de 98. E a grande tacada do ano foi a edição dos álbuns "Vision" e "Live In Tokyo", da banda sueca No Fun At All, condensados em um único cd. Não bastasse os dois álbuns serem os dois únicos da banda inéditos no Brasil, o lançamento coincidiu com a realização de alguns shows da banda em Curitiba, em dezembro de 99. Foi o lançamento de maior repercussão do selo, que dá a devida moral ao selo arrebentar no ano 2000.

Festival da Barulho2001
As comemorações de 1 ano de aniversário da loja Barulho Records foram em grande estilo. Tudo começou no dia 17 de abril, aniversário de inauguração da loja, e acabou no dia 22. Dia 17, foi realizada uma "festinha" na própria loja com show das bandas Surf Classics e Kozmic Gorillas. A sonzeira rolou somente após o encerramento do horário comercial normal do shopping. Assim, convidados e sortudos que apareceram na área curtiram a celebração no pequeno local (as duas bandas tocaram no corredor do shopping), tudo regado a muitas cervejas que os donos, após umas e outras, liberaram para a galera. No dia seguinte, 18 de abril, três bandas se apresentaram no Moinho São Roque: Boobarellas, fazendo um bom show com a sua nova formação; Pelebrói Não Sei!, que fez uma das melhores performances em shows até hoje, com direito a saquinho de bolinhas, placa de gritos e muitos aplausos, risadas e coros de todas as pessoas que compareceram no local. E, para fechar a noite, The Queers, banda norte americana que fez uma boa apresentação, mas sem mostrar muita coisa de diferente para nós. No dia 19, uma quinta-feira, quatro bandas subiram no palco do mesmo Moinho. A primeira foi o My Dog Is Virgin, banda da região metropolitana da cidade de Curitiba que vem aos poucos alcançando um bom nome na cidade, fazendo um show bacana. Em seguida veio o Sonic Sex Panic que fez um show um tanto quanto longo, mas bom. Logo após tocou o Nitrominds e fechando a noite veio a banda Bambix da Holanda que fez um show muito bom. Uma pena foi o incidente no fim do show (roubaram os pedais da banda). Dia 20, sexta-feira, a coisa mudou de endereço pra casa mais underground do país, o 92°. A banda Subtera de Londrina abriu a noite com um poderoso crossover e, em seguida, veio a banda A-OK trazendo uma legião de fãs e detonando um show legal com seu som HC/surf. Os Catalépticos tocaram na seqüência seu power psycho do inferno, maravilhoso. Fechou a noite a banda Confusion, na sua última apresentação com a formação clássica (já que Digão e Fabian decidem sair da banda). Depois do show, é certeza que os caras se lamentaram por terem saído da banda. O show foi lindo. Sabadão, 21 de abril, quem foi disse que estava muito bom, rolou Duffs, Sugar Kane, Pelebrói Não Sei! e Why Not, de Maringá. Originalmente o Hülk tocaria no lugar do pelebrônicos, levando uma legião de adolescentes com camisetas da banda ao local. Infelizmente, a apresentação não foi possível, por motivo de falecimento na família de integrantes da banda. Para fechar o festival, dia 22, No Milk Today fez o único show da noite de encerramento no 92º, regado a muito bom punk rock e rodadas de cerveja por conta da Barulho.... e, para ter um final antológico, uma certa figurinha carimbada iniciou uma rasgação de camiseta dos presentes, durante o pogo... uma galera saiu de lá no pêlo...agora, adivinha quem foi a criatura? O Oneide, vocal do Pelebrói e louco assumido... Bom, ano que vem a Barulho vai garantir uma nova edição do festival e espera que algumas bandas que não puderam vir ou se apresentar, venham na próxima. Isso vale para bandas do selo ou não. Isto é, quem faz punk de qualidade, seja lá de onde for, tá convidado!

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