" Somewhere a pen is busy with hate tonight # Jaded
eyes and cynics bring me down # Somewhere a kid is playing his heart out
tonight # But he'll get nowhere with the Berkeley in-crowd Well put-downs
are so easy # like a novel without a soul # And every executioner wears
a hood # When it's the time for heads to roll # Well they're just like
new dictators # Trying to tell us what to love # Well their opinion they
can take and shove
Somewhere young rebels will meet up tonight # Somewhere skateboarders
and straightedgers will unite # They don't need no magazine that's filled
with hate and lies # Get enough from the world around them # They're young
but they are wise
But negativity's easy # You just fire and walk away # And it's the armchair
general # Who lives to fight another day # Well they're just a new dictators
# Trying to tell us what to love # Well their opinion they can take and
shove
If this was 1944, they'd be pointing their guns at you # Cause every fascists,
left or right, has a fucked-up set of rules # But do they really think
the kids are such fools? # Or do they even care?".
1944, música presente no álbum "Punkrockacademyfightsong", terceiro da
banda americana Down By Law, é a minha música desta semana. Dave Smalley,
vocalista e guitarrista-base do Down By Law, escreveu esta música em 1994.
A letra fala do radicalismo, do negativismo e da intolerância que norteia
o fanzine norte-americano Maximum Rock'N'Roll. Existem fascistas de direita
e fascistas de esquerda. Você pode ser intolerante em qualquer lado que
você estiver. E a Maximum Rock'N'Roll que começou como um fanzine positivo,
construtivo e foi um agente de união de toda a comunidade da música independente
mundial, infelizmente se desintegrou se tornando radical e fanático. E
isso é triste, pois esses ditadores não encorajam as pessoas a serem elas
mesmas. A Maximum Rock'N'Roll fala mal de praticamente todas as bandas
do mundo. Se uma banda assinou com uma major, eles escracham. Se outra
banda estourou e tem sua música tocando nas rádios, eles falam mal. Comerciais
e vídeos na Mtv também não são bem vistos aos olhos desta revista da região
de San Francisco. Com a Maximum atualmente, a tolerância é zero e por
isso mesmo, não é nada interessante. Pois essa tendência para pensar em
termos de 'tudo ou nada' ou 'right or wrong'; ignora a interdependência
e a relatividade das coisas. Não levam em conta posições intermediárias.
1944, é a mais uma excelente letra do Dave Smalley. Dave escreve sobre
tudo. Política, amor, guerra, etc... Nos dois primeiros álbuns, Dave falou
muito de incerteza, medo, solidão. Foram essas incertezas que fizeram
Dave abandonar duas bandas. Dave ficou apenas 8 meses no Dag Nasty e no
final de 86 foi para Israel, estudar. De lá, recebe o convite de Bill
Stevenson para ser o vocalista de sua nova banda que iria se chamar ALL.
Depois de uma turnê de 9 meses, um Ep e um Lp, Dave abandona o ALL em
89. Sua idéia era voltar a estudar e ficar mais próximo de sua futura
esposa, Caroline. Um ano depois, Dave Smalley monta um banda, just for
fun, com Chris Bagarozzi do Claw Hammer e com Ed Urlik e Dave Naz, do
Chemical People. O projeto deu certo e os álbuns "Down By Law" e "Blue",
lançados pela Epitaph Records, foram muito bem aceitos por todo mundo.
Dave colocou na cabeça que fazer música, estar numa banda, era o que ele
queria fazer de sua vida. Após reformular a banda algumas vezes, o Down
By Law lançou em 94, o disco "Punkrockacademyfightsong", com Sam Williams
na guitarra e John DiMambro no baixo. Apenas Dave era da formação original,
e o som realmente mudou um pouco. Mas a atitude, as letras e a postura
de Dave Smalley continuou firme. Dave nunca perdeu o seu foco, sempre
deixou a chama acessa, sempre verdadeiro em seus ideais. O pessoal e o
político são inseparáveis na obra do Down By Law. A música é honesta e
revela verdades que poucas bandas tem a competência de fazer. Desde a
primeira vez que escutei a banda, me senti livre, absorvi a mensagem de
como poderíamos fazer deste, um mundo melhor, e a partir daí a lição nunca
mais foi esquecida.
Recomendo todos os álbuns, sem exceção. Os shows da banda também são intensos
e quase perfeitos. Não são, apenas porque Dave Smalley é muito melhor
no disco que ao vivo. Ao vivo Dave canta em tons e harmonias diferentes,
e às vezes soa muito estranho. Mas Dave, está mais preocupado em cantar
com emoção e paixão e está certo.
Smalley montou uma outra banda, chamada Sharpshooters e lançaram apenas
um disco, "Viva Los Guerillas", em 1999.
A formação do Down By Law desde "Fly The Flag", seu último álbum, também
de 99, é: Dave Smalley, Milo Todesco na bateria, Keith Davies no baixo
e Sam Williams na outra guitarra e estão com uma demo pronta para entrar
num estúdio e gravar um novo álbum, estão apenas aguardando boas propostas
de gravadoras independentes.
Dave Smalley aproveitou a folga para gravar mais um álbum com sua antiga
e espetacular banda Dag Nasty. "Minority Of One" deve sair até o meio
do ano pela Revelation Records.
No dia 09 de Abril, a Epitaph Records lança uma coletânea intitulada "Punkrockdays
-The best of DBL". O disco deve conter mais ou menos 20 músicas escolhidas
por internautas que acessaram o www.downbylaw.com e votaram em suas músicas
prediletas, mais uma faixa inédita, que deve ser um cover. Não sei se
1944 estárá em "Punkrockdays...", eu votei e espero que sim. Para divulgar
o "novo" álbum, farão dois shows em festivais na semana que vem na Holanda
e Bélgica. Depois, em Junho, 14 datas na Alemanha e mais 7 na Inglaterra,
encerrando a tour no meio de Julho no festival Holidays In The Sun.
Abaixo, duas fotos. A primeira de minha autoria, no show de lançamento
do álbum "All Scratched Up", no Whisky A Go Go em L.A. no ano de 1996.
E a outra foto é a capa da coletânea que será lançada em duas semanas.
Difícil escrever este texto. Down By Law é uma das minhas bandas favoritas.
Tinha muita informação para passar, muita curiosidade... resolvi escrever
o mais óbvio.
Outra dificuldade foi a escolha da música. Existem muitas músicas do Down
By Law que são importantes para mim. Músicas que marcaram épocas, fases
e momentos híbridos. Eu desconfiava que aqui estaria alguma música do
álbum "Blue", o meu predileto. "Blue" é o álbum mais melancólico e "difícil"
da banda. Mas bateu em cheio no meu coração. Comentei com Dave que era
o meu álbum favorito e Dave Smalley autografou o meu vinil do "Blue" da
seguinte forma: "Only the true D.B.L. fans understand this record - thanks
- stay free -Dave Smalley".
Mas foi a maravilhosa 1944, que realmente me acompanhou durante os últimos
dias. Portanto, 1944, Down By Law, é a minha música da semana.