Finalmente foi lançado oficialmente o novo álbum do Bad Religion. "Process
Of Belief" saiu pela Epitaph Records e ainda trás mais duas novidades:
o retorno do guitarrista Brett Gurewitz e o novo baterista Brooks Wackerman.
Mr. Brett já vinha flertando o seu retorno à banda desde a sua colaboração
no álbum New America, onde compôs a música Believe It. Durante a tour
deste disco, Brett acompanhou a banda em alguns shows e a vontade de fazer
e gravar novas músicas veio à tona novamente.
A animosidade com o baixista Jay Bentley foi superada, uma vez que os
problemas de relacionamento entre os dois, não passavam de desentendimentos
corriqueiros entre companheiros de banda e amigos íntimos desde os 16
anos de idade.
Assim, Greg Graffin e Brett começaram a compôr músicas juntos. Um em N.Y.C.,
outro em L.A., ambos trocando informações via computadores. Brett foi
convidado a voltar à banda e a banda foi convidada à voltar para a gravadora
Epitaph. Convites aceitos e bem vindos.
Nessa mesma época, Bobby Schayer recebe a notícia de seu médico, que suas
fortes dores no ombro direito impossibilitariam a sequência de sua carreira
como baterista. Bobby passou toda a tour sul-americana do New America
sofrendo como nunca com a tendinite. Lembro de comentar com o meu amigo
Maurício Gaudêncio (baterista do No Milk Today/Hulk) que Bobby estava
muito "econômico" na sua pegada no chimbal, no belíssimo show do Bad Religion
na Fórum, ano passado.
Hard but true: Bobby nunca mais poderá tocar bateria.
Poucas semanas antes de iniciar a gravação de "Process Of Belief", Brooks
Wackerman é anunciado como o novo baterista do Bad Religion. Brooks já
tocou no Suicidal Tendencies, no Infectious Grooves e no Vandals. Brooks
tem a percussão e a bateria correndo em suas veias. Brooks vem de uma
família de bateristas. Seu irmão Chad Wackerman já tocou com Andy Summers,
Steve Vai, Men At Work, James Taylor e foi um dos poucos bateristas que
tocou com Frank Zappa.
Mesclando poder e convicção com sensibilidade e esmero, considero Brooks
como o melhor baterista que o Bad Religion poderia ter após 10 anos de
Peter Finestone e mais 10 de Bobby Schayer.
"Process Of Belief", foi gravado com muita intensidade e urgência em Agosto,
mas só foi lançado agora em Fevereiro. Gravado no Westbeach com a produção
de Graffin e Brett, este novo álbum poderia estar encaixado entre o "Stranger
Than Fiction" e o "Gray Race" com pitadas de "Against The Grain".
3 guitarras bem dosadas, sem exageros. Faixas longas e curtas, mesclando
passagens bem simples com outras mais complexas. Ooohs and Aaahs clássicos.
Temática das letras variando. Filosofia (Materialist), Religião (Epiphany),
Política Internacional (Kyoto Now + Sorrow) são abordados entre canções
menos emblemáticas, provavelmente via Brett.
Sorrow, mesmo gravada antes do episódio 11 de Setembro, parece uma música
feita logo após o atentado e por isso mesmo já começou a rodar em rádios
americanas bem antes do lançamento do álbum. Sorrow deve ser o primeiro
video deste disco e ao lado de Kyoto Now mostra toda a lucidez e visão
da banda frente ao abuso e totalitarismo da política adotada pelos E.U.A.
O discurso de Graffin se assemelha muito ao discurso do lingüista norte
americano Noam Chomski, que hoje se encontra no Fórum Social Mundial,
em Porto Alegre e aproveita para lançar seu novo livro intitulado, 11
de Setembro, pela editora Bertrand Brasil.
Logo após o lançamento de "Process..." a banda fez alguns shows em locais
pequenos (Bottom Of The Hill em Frisco, Whisky em L.A.) no circuito California/N.Y.C.
Agora estão fazendo 6 shows pela Europa (3 na Alemanha, um em Milão, outro
em Londres e Barcelona).
Em Março iniciam uma grande turnê pela Costa Leste, passando pelo Canadá
e terminando em Seattle.
Em todos esses shows a banda sobe no palco com 3 guitarristas, basicamente
o Iron Maiden do punk. Torcemos para que o Brasil seja visitado na tour
mundial e que Curitiba possa receber Mr. Brett pela primeira vez. Brooks
Wackerman já esteve entre nós com o Suicidal Tendencies na Fórum. Era
o baterista-tocando-descalço com pinta de skatista de Venice...
Enquanto o novo disco não saía. Greg Hetson fazia alguns shows esporádicos
com os Circle Jerks, que acaba de receber um álbum tributo com artistas
como Joey Ramone, Red Hot Chilli Peppers, entre outros.
Brian Baker acabou de gravar mais um disco do Dag Nasty !! Com a mesma
formação do "Can I Say/Floor On The Floor", esse álbum promete e deve
sair até o meio do ano pela Revelation Records.
Desde "Suffer" este é o primeiro disco no qual não é especificado o autor
das faixas. O bonito, porém pouco prático encarte de "Process..." diz
apenas que todas as músicas e letras foram compostas por Greg Graffin
and Mr. Brett. Com minha experiência, acompanhando a banda álbum por álbum
desde Suffer, fica fácil saber em quais faixas o dedo de Brett ou Graffin
está mais presente. Músicas como Prove It, Destined For Nothing, Broken,
Materialist, Kyoto Now, devem ser de autoria de Graffin. Já a faixa de
abertura (Supersonic), Can't Stop, Sorrow e Evangeline devem ser de autoria
de Brett, assim como "YOU DON'T BELONG" , minha música da semana.
You Don't Belong "Hey, you, Is there something worth aspiring to? and
can it be found in a record store? well, it's not there anymore Just think
of all the things we did We were different, just like all the other kids
Missy was a teen blue video star Tom took his life in his mother's car
Milo went to college but you knew about that Rodney played our record
Jimmy started riots Laurie was always quiet, she was battling depression
Hey, you, Is there something worth belonging to? and can I pick it up
for a song, or a diploma, or a worthy cause? Well, let me tell you that
there's nothing wrong It's just the ones like us will never belong Jack
wore a skirt but he knew how to scrap Billy went to county on a class-one
possession Wendy went to school while her daddy shot smack Eugene kept
a list Mugger was security Mary, she kept her purity We were all in it
together Yellowed postcards on the wall serve to cover up the blankness
after all so I will carry them along, like a song, when I'm gone Hey,
you, Is there something worth belonging to? You know we've been here all
along like a confederacy of the wrong and I confess it could be prejudice
but to you I dedicate this song -yeah, you".
Uma homenagem simples e pura ao pessoal da época. Sentimentos de nostalgia
(pelas lembrança citadas) com dúvidas da adolescência (o que fazer da
vida - tirar um diploma, fazer uma nova música, achar algo que valha a
pena), mais o orgulho de fazer parte de alguma coisa - mesmo que esta
"alguma coisa", fosse o fato de ninguém conseguir fazer parte da "sociedade
normal". Ou seja, quem "don't belong" estava unido por este fato.
O tal Milo citado na letra de "You Don't Belong", certamente é o Milo,
vocalista dos Descendents e seu álbum Milo Goes To College. O tal Rodney
é o Rodney Bingenheimer, locutor e produtor de rádio em L.A., grande incentivador
da música dita alternativa.
Jimmy, pode ser o Pursey, vocalista do Sham 69. Jack pode ser o Grisham
(TSOL/Joykiller) e Billy pode ser o Stevenson (Black Flag, Descendents,
All).
Estava sentindo falta das músicas e das letras do Brett e por isso "YOU
DON'T BELONG" é a minha música desta semana.