FUGAZI: gíria originada na Segunda Guerra Mundial, usada pelo exército
italiano que significa "FODIDO". O termo voltou a ser utilizado durante
a Guerra do Vietnã, desta vez por soldados norte americanos.
Atualmente, a guerra é outra. Soldados uniformizados, exércitos marchando
e "as últimas novidades das zonas de combate" são apenas imagens midiáticas
querendo nos enganar. O principal campo de batalha de qualquer guerra
não é mais um chão geográfico, mas, sobretudo, o espaço imaterial da mídia,
onde se conquista o mais precioso dos teritórrios, a consciência coletiva.
Antes de formar o Fugazi no começo de 1987, Ian Mackaye já tinha tocado
em várias bandas de Washington D.C., entre elas Teen Idles, Minor Threat
e Embrace. Brendan Canty e Guy Picciotto eram parceiros de longa data,
tocando bateria, guitarra ou fazendo as vozes em bandas como Happy Go
Licky e Rites Of Spring. Todas estas bandas lançaram trabalhos pela gravadora
Dischord, de propriedade de Mackaye; que além de comandar um selo e fazer
música, também vinha produzindo algumas bandas como 7 Seconds e Dag Nasty.
Completava a formação do Fugazi, o baixista Joe Lally; 15 anos depois
a formação continua a mesma, os consolidando como um dos mais influentes
pilares do rock americano.
Os primeiros trabalhos do Fugazi trazia a sonoridade de suas bandas antecessoras
(Embrace e Rites Of Spring) misturado com doses nada econômicas de Sonic
Youth, com Ian e Picciotto dividindo os vocais.
Em junho de 88 sai o primeiro Ep, logo depois o segundo (Margin Walker)
e em 89, o primeiro Lp, Repeater. A partir daí, de dois em dois anos o
Fugazi vem nos presenteando com um disco mais interessante que o outro:
Steady Diet Of Nothing, In On The Kill Taker, Red Medicine, End Hits,
Instrument e The Argument, este último lançado em outubro do ano passado.
A cada disco, novos elementos são incorporados, a mesma forma numa nova
linguagem. Difícil de discutir, difícil de assimilar, fácil de se apaixonar.
Se a sonoridade e a temática das letras mudam sutilmente, outras coisas
no Fugazi não mudam jamais: formação, gravadora, estúdio (Inner Ear, com
o mestre Don Zientara), design (Jem Cohen) e é claro, ATITUDE.
Exemplo e inspiração de como conduzir uma carreira e de como se relacionar
com a indústria fonográfica. Recusam publicidade e exposição em certas
mídias. São o que são e apenas fazem o que querem, sem motivação política
ou religiosa. A música é o suficiente, ela contém a própria razão. A autonomia
vale mais do que a popularidade que a banda poderia curtir. O Fugazi é
prova de que sempre haverá pessoas trabalhando e criando em um nível "abaixo"
de tudo.
Já estiveram duas vezes aqui no Brasil, a primeira foi em 1994. Em Curitiba,
3 shows no 92 Graus. 3 set lists diferentes !!!!!!!!
Neste domingo, dia 21 de Julho, no porão do 92 Graus, poderemos conferir
o show do HURTMOLD, uma fantástica banda paulistana altamente influenciada
pelos novos álbuns do Fugazi.
Domingo, 21/Julho,7 Reais, 19 horas: HURTMOLD Relespública Pelebrói Lorena
foi embora Magog.
ARPEGGIATOR, uma das maravilhosas músicas instrumentais do FUGAZI, faixa
10 do End Hits, é a minha música desta semana.