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Circle Jerks começou em Los Angeles em 1980. O vocalista Keith Morris veio do Black Flag, onde tinha gravado o Ep Nervous Breakdown, e o guitarrista Greg Hetson veio do Redd Kross, onde também tinha gravado apenas um Ep.

Neste mesmo ano lançam o primeiro álbum, "Group Sex": mini músicas, músicas que começavam com vocal, guitarras emendando uma na outra, 14 sons em pouco mais de 14 minutos.

O segundo "Wild In The Streets" saiu em 82.

Duas aulas de hardcore. Músicas velozes, diretas. Voz rouca e cheia de energia. Hetson desenhava no braço de sua guitarra, várias formas geométricas por segundo. Letras angustiantes, desesperadas, misturando cinismo e espontaneidade.

Em 83, "Golden Shower of Hits" seguia a mesma cartilha e consolidava os Circle Jerks como uma das bandas mais influentes do punk rock americano.

Durante estes 3 primeiros anos, a formação mudava constantemente, mas sempre com Morris e Hetson presentes. Chuck Biscuits, Jay Bentley e até mesmo Flea (R.H.C.Peppers), fizeram parte da banda.

Greg Hetson nesta época, ressucitou o Bad Religion (para nunca mais sair...) e juntamente com Graffin, Tim Galegos e Pete Finestone lançou o Ep "Back To The Know".

Até que em 1985, Zander Schloss foi efetivado no baixo e Keith Clark na bateria, e o Circle Jerks lançam "Wonderful". Álbum maravilhoso com letras maduras e músicas mais lentas, pesadas. Um toque de hardrock/heavymetal, fez com que alguns fãs mais antigos fizessem cara feia. Bobagem.

Em 86, a relação do baixista Zander com o cinema se estreitou. Zander (que já tinha atuado como Estevez, co-estrela do cult movie REPO MAN) comandava algumas trilhas sonoras e os Circle Jerks apareceram em dois filmes importantes da época: Thrasher (documentário sobre skate) e o clássico Sid & Nancy, com Morris dando uma de ator na última cena da película, na qual Sid aparece na prisão. Além disso, Zander aparecia no Ramones Aid, uma sátira que os Pais do Punk fizeram no clip da música Something To Believe In.

Em 1987, a popularidade da banda estava em alta e uma primeira e única tour pela Europa foi agendada para divulgar o quinto e espetacular álbum "VI".

Disco aclamado pelos críticos e pelos fãs. 13 músicas em meia hora... um dos discos mais legais para ouvir em uma sentada só. "VI" foi lançado simultaneamente aqui no Brasil. O vinil com capa cor-de-rosa era e continua sendo, um dos mais queridos e ouvidos pela molecada que gostava de rock no final dos anos 80. Pérolas extremamente bem lapidadas como I Don't, Love Kills, American Way, Living e Patty's Killing Mel.

O disco abre com "BEAT ME SENSELESS" a minha música desta semana.

"I'd swim the oceans - In a suit of lead You'd stand there - Throw rocks at my head Cut me open - Watch me bleed Is this what you really need Beat me senseless You got a beat me senseless..."

Letra: Morris/Clark Music: Clark/Hetson

Misteriosamente, os anos seguintes não foram muito bons para o Circle Jerks. Em 89, por exemplo fizeram apenas um show. Em 90, três. Trechos dos 3 shows foram gravados e lançados em um cd chamado GIG, em 1992.

Greg Hetson escrevia mais um capítulo do punk americano empunhando sua guitarra no Bad Religion, em álbuns como "Suffer", "Against the Grain" (com Morris fazendo backing vocals em Operation Rescue) e "Generator".

Keith Morris estava se dedicava a outro projeto chamado Buglamp; Zander fazia alguns shows com Joe Strummer... e o Circle Jerks acabou encerrando suas atividades em 1990.

Retornam em 94, fazendo dois shows e em 95 lançam mais um álbum poderoso, "Oddities, Abnormalities and Curiosities". Mesma formação de "VI", mesma pegada e competência. Uma pequena turnê e alguns shows desmarcados; a garotada estava mais interessada no hardcore melódico, pirulito shopping center facilmente digerível, que dominou a metade dos anos 90... e o Circle Jerks mais uma vez saía de cena.

Até que em 1999, Keith Morris descobriu ser portador de um tipo sério de diabetes. Adult Onset Diabetes, fez Morris sofrer como nunca, fisicamente e economicamente. Alguns shows beneficentes foram realizados na região de Los Angeles. O mais interessante deles apresentava membros de bandas como X, Weirdos, Pennywise, Tool, Butthole Surfers, Josh Freese e Johnny Deep (o ator!!) tocando músicas próprias entre alguns clássicos do Circle Jerks.

Um álbum tributo também foi produzido, está pronto, mas não saiu até agora. Este tributo deverá ser interessante, assim como as bandas presentes: Breeders, S.N.F.U., Fishbone, Fu Manchu, Mudhoney, Pennywise, Superchunk + Jane (Go Go's), Murphy's Law, Nashville Pussy (fazendo uma bela versão para a minha música desta semana) e Red Hot Chilli Peppers (tocando "I Just Want Some Skank/Beverly Hills", que apareceu no show dos caras aqui no Rock 'n' Rio).

Toda essa movimentação colocou Keith Morris para cima novamente. Desde então, os Circle Jerks vem fazendo shows esporádicos. A formação é quase a mesma, com Morris, Hetson, Zander e Kevin Fitzgerald na bateria. Neste ano já fizeram 6 shows e no próximo mês, 4 datas enriquecem a Vans Warped Tour.

Além disso, Keith Morris vem se dedicando ao seu novo projeto, Midget Handjob. Uma loucura experimental com disco lançado no ano 2000 pela Epitaph Records. Saxofone, guitarras barulhentas e barulhinhos certeiros, juntamente com figuras como Jon Wahl (Claw Hammer), Tony Malone (Detox), Chris Bagarozzi (Claw Hammer e Down By Law) e Kevin Fitzgerald (Claw Hammer, DBL, Geraldine Fibers e atualmente Circle Jerks).

O Ratos de Porão regravou uma música do primeiro disco dos Circle Jerks: Red Tape entrou no disco de covers Feijoada Acidente. Quem andava de skate no final dos anos 80, deve se lembrar do programa Grito da Rua. Dias atrás estava assistindo algumas fitas que gravei deste programa: "Beat Me Senseless" embalava uma volta de um campeonato de freestyle de um skatista chamado Alexandre Chorão. Muitos anos mais tarde, Chorão formava a sua própria banda, Charlie Brown J.R.

Outro eco de "Beat me senseless" aqui no Brasil, veio da banda Os Cabelo Duro, com uma versão não comprometedora.

Circle Jerks está por aí. A lenda está viva. Estamos torcendo para que esta chama nunca se apague e apareça por aqui. "

"VI" é um dos discos que eu e meus amigos mais ouvimos na nossa vida, top 10 em muitas listas.

"VI" abre com "BEAT ME SENSELESS" a minha música da semana.














1) The sunnyside of the street - The Pogues.
2) Grey World - H.D.Q.
3) Shot by both sides - Magazine.
4) Forbidden city - Joe Strummer and the Mescaleros.
5) Yo combati la ley - Attaque 77.
6) Party in Paris - U.K. Subs.
7) All the way to Reno - R.E.M.
8) Life's a gas
9)Swords of a thousand man - Ten Pole Tudor
10)Não teve música da semana - escrevi sobre dois livros, Rumo a estação Islândia e Diário da turma.
11) My Pop The Cop - The Dickies.
12) Alison - Elvis Costello and the Attractions.
13) Staring at the Rude Boys - The Ruts.
14) Viva la Revolution - Die Toten Hosen.
15) Hope Street, ao vivo - Stiff Little Fingers.
16) Moon Over Marin, ao vivo - Dead Kennedys.
17) ALOHA STEVE & DANNO - RADIO BIRDMAN
18) OUTSIDE LOOKING IN - da banda GARDENER
19) PAYOLA, dos PROFESSIONALS
20) STAY FREE, The Clash
21) WHOLE WIDE WORLD, WRECKLESS ERIC
22) DON'T WANT TO KNOW IF YOU ARE LONELY - HÜSKER DÜ
23) WHERE ARE THEY NOW? - COCK SPARRER
24) GARY GILMORE'S EYES - ADVERTS
25) ANGELINA - NeUROTIC OUTSIDERS
26) YOU DON'T BELONG
- BAD RELIGION
27) PUNKY - SOLEA
28) SHAM 69 - HEY LITTLE RICH BOY
29) 7 SECONDS -
"The Music, The Message"
30) JOEY RAMONE
31) BILLY BRAGG -
"The Boy Done Good
32) UNDERTONES - teenage kicks
33) DOWN BY LAW - 1944
34) WEIRDOS -
Solitary Confinement
35) POLI -
DEPOIS DE 7 MESES

36) SLAUGHTER AND THE DOGS - the bitch
37) THE DAMNED - generals
38) VELVET UNDERGROUND - she´s my best friend
39) ABRASIVE WHEELS -
BURN 'EM DOWN
40) HEARTBREAKERS - CHINESE ROCKS
41) GARAGE FUZZ - ROCKIN CHAIR
42) BEAT ME SENSELESS - CIRCLE JERKS

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