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Temos a capacidade de agir e manifestar nossas vontades através da nossa individualidade, e não apenas através de organizações que podem ser facilmente manipuladas e manipuladoras. Temos o poder do cotidiano, das pequenas e poderosas resoluções. Uma vez atingida a consciência desse poder, a conseqüência natural é o ativismo como uma atitude cotidiana da vida.
Talvez por isso, nesses tempos de guerra entre nações e classes sociais, que SMALL SCALE WARS, faixa número 4 do primeiro álbum dos ingleses do Citizen Fish, seja a minha música desta semana.

"Everything we do on a personal scale/ Taking 'we' to mean everyone who ever existed/ is the basis for everything wrong in this world/ and of course everything right as well/ but the list of wrongs that offend the soul/ like the chance of being killed before we get old/ is far far longer than the list of rights

Falling in love won't stop the war Falling in love won't stop the war Falling in love won't stop the war But hating other people might start some more

You blame the politicians/ for making all the wrong decisions/ which are just same as ours/ but we haven't got that power/ that enforces domination/ so we take out our frustation/ on weaker opposition/ reinforce our egotism/ in our small scale war/ on the disco floors/ against the man next door

Falling in love won't stop the war (3x). But hating other people might start some more

You can blame the politicians/ you can blame the television/ you can blame your education/ cost of living and inflation/ but the basis for everything wrong in this world/ is the way that people behave/ when you scorn the system but fight each other/ you're behaving exactly the same/ if you thought a bit more before starting the war/ then maybe the structure would change

Falling in love won't stop the war (3x) But hating other people might start some more".


3 minutos e 45 segundos de reggae misturado com punk rock, ska e alguma coisa parecida com jazz. Músicos extremamente competentes e um vocalista/letrista excepcional. Em SMALL SCALE WARS, com seu sotaque cockney sempre afiadíssimo, Dick incorpora Madre Tereza de Calcutá que certa vez disse: "Não podemos fazer grandes coisas nesta terra, tudo que podemos fazer são pequenas coisas com muito amor'.

Em 23 anos de serviço à música (de 1980/85 no Subhumans, de 86/89 no Culture Shock e desde 1990 no Citizen Fish) Dick nunca escreveu uma letra de amor de forma escancarada. Sempre escreveu letras de protesto e atirando para todos os lados: consumismo, preconceito, televisão, mundo da música, guerra, mídia, poluição; ou em letras positivas que falam de consciência, vegetarianismo, amizade e auto-controle. Em uma música do primeiro disco do Citizen Fish de 1990, "Free Souls In A Trapped Environment" chamada "How To Write Ultimate Protest Songs", a fórmula de como Dick Lucas se comunica com seu público é explicada: o melhor método de escrever uma canção de protesto é escrever aos poucos, em diferentes dias, em diferentes perspectivas e "insert a little optimist now and then/before complaining becomes a trend".

A primeira banda de Dick foi o Subhumans, formada em 1980. A minha banda predileta da cena anarco punk inglesa, que ainda contava com nomes como Conflict, Flux of Pink Indians, Rudimentary Peni, Antisect e a mais radical de todos os tempos, Crass. Em 81 lançaram 4 Ep's. Em 82 saiu o maravilhoso Lp "The Day The Country Died". Nos anos seguintes mais dois álbuns nada convencionais (Time Flies But Aeroplanes Crash e From The Cadle To The Grave), sempre fugindo dos clichês do punk, mesmo sendo furiosos e cheios de energia. Com músicas cada vez mais trabalhadas e letras ainda mais engajadas e revolucionárias, lançam em 1985 seu álbum mais exuberante: "Worlds Apart". Após uma bem sucedida turnê européia, os Subhumans resolveram encerrar atividades em novembro de 85. Fizeram mais alguns poucos shows e ainda gravaram material para um álbum póstumo, o também excelente 29:29 Split Vision. Desde 1997 fazem shows esporádicos pela Europa e pelos E.U.A.. Em 2000 lançaram o Ep Unfinished Business com 7 músicas antigas inéditas, 3 delas regravadas em 1998. Estarão em turnê estado-unidense até o final do mês de abril, depois se preparam para lançar via Fat Wreck Chords, um disco ao vivo; o quinto da série Live In A Dive da gravadora de Fat Mike. Fat Mike, baixista/vocalista do Nofx é fã de longa data, seu primeiro stage dive foi num show do Subhumans em Los Angeles no longínquo ano de 1983 !!

Após o fim do Subhumans, Dick formou o Culture Shock em 1986. Muito ska e um pouco de punk rock em três álbuns ao longo da curta carreira de 3 anos. Os 3 discos foram lançados pela própria gravadora de Dick, a Bluurg Records, que já tinha lançado Subhumans.

Em 89, formou o Citizen Fish juntamente com (o ex-Culture Shock) Jasper no baixo, (o ex-Subhumans) Trotsky na bateria e um tal de Larry na guitarra. Com este line-up lançaram o primeiro álbum. No ano seguinte Larry foi substituído pelo também ex-Subhumans Phil, agora tocando guitarra. Possuem quase uma dezena de álbuns, todos lançados pela Bluurg, sendo que os últimos também saíram nos E.U.A. via Lookout Records. As baixas vendas fizeram a gravadora perder o interesse no Citizen Fish, mas seu último trabalho, o álbum "Life Size", foi lançado via Honest Dons Records (também de Fat Márcio) em 2001.

Todos os discos do Citizen Fish são excelentes. Sugiro o primeiro "Free Souls In A Trapped Environment"(90) e "Flinch"(93): álbuns diversificados e com letras arrebatadoras. Se você se interessa bastante por ska, sugiro os trabalhos mais recentes: "Psychological Background Report", "Millenia Madness", "Active Ingredients"; ou os 3 álbuns do Culture Shock. Quanto ao Subhumans, tudo é clássico e de alta qualidade, sugiro: "The Day The Country Died", um clássico anarco punk hardcore que já vendeu mais de 100 mil cópias; "29:29 Split Vision", ou "Worlds Apart" a obra prima, um dos melhores discos do ano de 1985, uma pérola lapidada em diferentes sonoridades.

Não sou muito chegado em ska, muito menos se misturado com outras sonoridades como o punk. Mas Citizen Fish é uma das poucas exceções e com frequência visita meus headphones. Um dos grandes charmes do Citizen Fish é seu vocalista/letrista Richard Lucas, também conhecido pela alcunha de Dick Subhuman: linhas vocais agressivas, sarcásticas, esperançosas; sotaque cockney carregadíssimo, óculos, sorriso debochado, uma metralhadora giratória idealista. Sempre usando apenas um set de roupas em toda turnê, Dick sonhava em fazer um show que contasse com Subhumans ou Citizen Fish juntamente com outras 3 bandas: Ramones, Adverts e Operation Ivy. Juntamente com Trotsky, Jasper e Phil está há 13 anos transformando shows beneficentes e sociais em fins de semana internacionais intermináveis. Combinam o ska, o punk, o reggae e o rock'n'roll de forma única, esbanjando competência técnica. Trouxeram a política radical da classe trabalhadora intelectualizada para uma geração de mentes questionadoras. Deixando de lado o simples discurso gritado da maioria das bandas políticas, o Citizen Fish (assim como o Culture Shock e o Subhumans...) ofereceu uma alternativa mais esperançosa e dançável. Se algumas bandas tem admiradores, fãs ou a groupie da semana a sua disposição, o Citizen Fish e seu público formam uma verdadeira família. Rostos familiares, cerveja, refeições vegetarianas e, o ativismo local preenchendo seus shows de informação, idéias, ideais e inspirando as mudanças positivas que o Citizen Fish tanto fala.

Citizen Fish, com Small Scale Wars , a música desta semana.

Fotos:
- subhumans logo.
- show do Cfish de graça, no deserto, perto de Las Vegas.
- 4 u.k. fellas: amizade, técnica, diversão e atitude.
- rock !
- último trabalho lançado apenas pela honest dons.
- capa de um disco clássico: the day the country died.
- capa de uma obra prima: worlds apart.
- bike art against the war.















1) The sunnyside of the street - The Pogues.
2) Grey World - H.D.Q.
3) Shot by both sides - Magazine.
4) Forbidden city - Joe Strummer and the Mescaleros.
5) Yo combati la ley - Attaque 77.
6) Party in Paris - U.K. Subs.
7) All the way to Reno - R.E.M.
8) Life's a gas
9)Swords of a thousand man - Ten Pole Tudor
10)Não teve música da semana - escrevi sobre dois livros, Rumo a estação Islândia e Diário da turma.
11) My Pop The Cop - The Dickies.
12) Alison - Elvis Costello and the Attractions.
13) Staring at the Rude Boys - The Ruts.
14) Viva la Revolution - Die Toten Hosen.
15) Hope Street, ao vivo - Stiff Little Fingers.
16) Moon Over Marin, ao vivo - Dead Kennedys.
17) ALOHA STEVE & DANNO - RADIO BIRDMAN
18) OUTSIDE LOOKING IN - da banda GARDENER
19) PAYOLA, dos PROFESSIONALS
20) STAY FREE, The Clash
21) WHOLE WIDE WORLD, WRECKLESS ERIC
22) DON'T WANT TO KNOW IF YOU ARE LONELY - HÜSKER DÜ
23) WHERE ARE THEY NOW? - COCK SPARRER
24) GARY GILMORE'S EYES - ADVERTS
25) ANGELINA - NeUROTIC OUTSIDERS
26) YOU DON'T BELONG
- BAD RELIGION
27) PUNKY - SOLEA
28) SHAM 69 - HEY LITTLE RICH BOY
29) 7 SECONDS -
"The Music, The Message"
30) JOEY RAMONE
31) BILLY BRAGG -
"The Boy Done Good
32) UNDERTONES - teenage kicks
33) DOWN BY LAW - 1944
34) WEIRDOS -
Solitary Confinement
35) POLI -
DEPOIS DE 7 MESES

36) SLAUGHTER AND THE DOGS - the bitch
37) THE DAMNED - generals
38) VELVET UNDERGROUND - she´s my best friend
39) ABRASIVE WHEELS -
BURN 'EM DOWN
40) HEARTBREAKERS - CHINESE ROCKS
41) GARAGE FUZZ - ROCKIN CHAIR
42) THE JAM - GOING UNDERGROUND (TAVA PERDIDA)
42) CIRCLE JERKS - BEAT ME SENSELESS
43) FUGAZI -
ARPEGGIATOR
44) X - WHITE GIRL
45) SAMIAM - STEPSON
46) THE ONLY ALTERNATIVE - THE PUNKS ARE DEVIDED
47) VIBRATORS - STIFF LITTLE FINGERS
48) JOY RIDE - RUNNING AWAY
49) TURBONEGRO - GET IT ON
50) DESCENDENTS - CAMEAGE
51) ALL - BIRTHDAY I.O.U

52) DAG NASTY - BOTTLE THIS
53) SNFU -
YOU MAKE ME THICK
54) GBH - I AM THE HUNTED
55) SKATE ROCK - PART 1
56) SKATE ROCK - PART 2
57) SKATE ROCK - PART 3
58) SKATE ROCK - PART 4

59) SKATE ROCK - PART 5
60) Keep Yourself Together (versão acústica na Rádio Fluminense em 1992) dos Beach Lizards; It's Hard To Be a Viking, dos Muzzarelas; e Resistência do No Milk Today, são as minhas Músicas da Semana.
61)MANIC STREET PEACHERS - Know your enemy

62) RESTOS DE NADA - CLASSE DOMINANTE
63) GENERATION X - YOUR GENERATION

64) DAVE NAZ - (CHEMICAL PEOPLE) - SOME OTHER TIME

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