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De 92 a 96, existiu
em Curitiba um power-trio chamado Pinheads. Os caras fizeram furor
durante aqueles anos, especialmente em 93,94 e 95, período no qual
lançaram três demo-tapes ("Pinheads", "Wheres
The Silver Tape?" e "Hand In Head"), um 7 polegadas
("For Fun", com 6 faixas) e participaram de uma coletânea
("Flying Music 4 Flying People", Cogumelo) com oito músicas.
Os shows dos Pinheads,
tanto em Curitiba como em outras cidades eram tão bons e as músicas
gravadas se tornaram tão clássicas no cenário independente nacional,
que a banda fez escola.
O trio se separou no
final de 96 e virou um mito. Bandas de todo o Brasil começaram a
tocar covers do Pinheads nos shows e novas bandas os citavam como
influência. Surgiu então a idéia de fazer um álbum-tributo aos caras,
com as bandas fazendo suas releituras, fiéis ou à sua maneira. Existiam
mais de 40 músicas. Mais de 40 bandas foram convidadas, num trabalho
que levou quase um ano. Chegou-se então ao resultado final: 24 bandas,
23 músicas. A se lamentar apenas a ausência, por diversos motivos,
de bandas contemporâneas dos Pinheads, como Dead Fish, Dreadfull,
Garage Fuzz e Slack Nipples. O disco abre e fecha com "Oh Ja",
nas versões de Jason e Muzzarelas (esta com referências a Metallica
e Misfits). Os Wacky Kids esbanjam melodia em "Friendly Song",
o Heffer manda muito bem em "Today Is The Day". Depois
uma trinca curitibana: o Confusion faz de "Basic Rock"
uma música sua, O Hülk (com um ex-Pinheads na formação) deixa "Take
A Decision" ainda mais grudenta e o No Milk Today transforma
"Many Side Lad" num Oi! repleto de coros. "Destination
Zero" ficou excelente com o Hateen, com um excelente vocal.
O Mukeka Di Rato faz "Somebody Help" ainda mais rápida
que o original. O Acmme reinventa "Skate Session". O ACK
tem boas intenções em "Im Not A Nerd" mas a gravação
ficou comprometida. Depois vem o... Green Day? Não, é o trio paulistano
Holly Tree na quase irreconhecível mas interessante versão de "Psychozone".
O Noção De Nada dá uma aula em "Into Another Cyco". Os
Anões de Jardim buscam inspiração em New York para fazer a versão
de "Get Out Nasty" ainda mais porrada. Os Hill Valleys
(RJ) procuram ser fiéis na bela "Wish You go Away". O
Guliver faz uma versão de "Forget The Problems" rigorosamente
igual à de sua demo de 94, só que melhor gravada. O Sugar Kane,
de Curitiba, faz "Slowmotion" com inserção de diálogos
e brigas. Os White Frogs têm mais valor histórico em "Runaway",
pois a gravação, feita às pressas, também deixa um pouco a desejar.
Em seguida, o momento mais emocionante do disco: o ex-batera dos
Beach Lizards, Nervoso empunha um violão, uma guitarra e se tranca
sozinho em um estúdio no Rio e faz uma tocante versão unplugged
de "Plutoflippers Land" com referências a Buzzcocks
e deixa qualquer um arrepiado. O Randal Grave, diverte em "Its
In Your Hands", com samplers de entrevista dos Pinheads na
MTV (!). O trio curitibano Camaro 78 é uma das mais gratas surpresas
da coletânea com "I Need You Tonight" (da 1ª demo do Pinheads),
proporcionando um dos melhores solos do disco, vocais que lembram
Parasites e bateria ramônica. O Stukas Lazy, também vai à 1ª demo
e ressuscita "The Music Is OK". As meninas do Staples
poderiam ter caprichado mais em "Face The World" e o Againe,
embriagado por café e mais alguma coisa, destrói e reconstrói várias
vezes "I Dont Know Why" em português, com experimentalismos
e viagens sem volta.
No encarte do disco,
tem os contatos de todas as bandas, fotos clássicas dos Pinheads
ao vivo, árvore genealógica e texto contando um pouco da trajetória
meteórica da melhor banda que Curitiba já pariu.
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