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Como é difícil para
o Pullover tocar ao vivo, devido às atividades profissionais de
seus integrantes, eles resolveram se concentrar logo na gravação
de um álbum. Gravado e mixado no Solo Studios em dois finais de
semana e masterizado em um mês pelo mestre Carlyle Steinstrasser,
"Pullover" tem todas as qualidades, defeitos, virtudes
e problemas de um álbum de estréia. Mas nada ofusca a inspiração
das 11 composições espalhadas em pouco mais de 30 minutos de som.
O álbum começa num clima quase metal com "Stevens
On Age", cuja letra é baseada no filme "Um Crime Perfeito",
estrelado por Michael Douglas. "Yes I Am" (sobre bigamia)
começa lenta e descamba para um punk rock tradicional , recheado
de guitarras. "Answers" lembra Down By Law tanto na letra
como no ritmo e nos solos. A belíssima "Pills" é uma balada
à la Social Distortion, com ótimos trabalhos de harmonias vocais
de Paulo, Duda e Mauricio e dois solos perfeitos (um de cada guitarrista).
A obsessão por filmes de Michael Douglas é comprovada em "William
Foster" (sobre o filme "Um Dia de Fúria"), a música
mais deslocada do disco, nitidamente influenciada por Helmet. A
mais curta do álbum "Dont Wanna Get Old", sobre
pessoas que ficam velhas cedo e se conformam com isso. "The
Napkin Song" é quase uma surf-music instrumental estilo Agent
Orange com riffs de Anthrax. "One Day" e "Live In
Doubt..." são as que mais lembram Pinheads, enquanto que "Child,
Abuse Me" (sobre a paixão de um cara por uma menina 10 anos
mais nova) é a mais pauleira e "Chatterbox" (sobre pessoas
venenosas) é recheada de climas e a mais distante do que um dia
pensaram em fazer os integrantes. Talvez por isso seja a melhor
do álbum. Não bastasse tudo isso, o disco já valeria só pela capa
(foto real, tirada em 1953 na Praça Santos Andrade, em Curitiba,
registrando a performance de um dos membros da família de equilibristas
nômades alemães) e pelo encarte, repleto de referências nostálgicas.
COMENTARIOS DA GALERA:
"Fala Dudu, aqui quem escreve é o Fábio, sou guit/vocal da
banda The Invisibles, do Rio, não sei se vc conhece. Enfim, não
sou leitor assíduo da sua coluna, mas sempre que tenho um tempo
dou uma passada no site da Barulho e leio uma porrada em seguida,
então acho que já li quase todas as colunas que vc fez. Hoje foi
um desses dias de ócio positivo, e sei lá, lendo suas colunas deu
vontade de escrever. Em primeiro lugar, por causa do bom gosto hehehehe.
Fico feliz de ver vários artistas que eu adoro, de estilos completamente
diferentes, como Clash, ALL, Elvis Costello, Down By Law... mesmo
nem sempre concordando com a escolha da música de cada banda. E
é especialmente legal de ler pq eu sempre gostei de Pinheads e de
Pullover, que eu acho um dos discos/bandas mais injustiçados que
o Brasil já teve. Conheço o Pinheads da época da "Hand in head",
vi a banda acabar, mas o Pullover foi um disco que eu fui descobrindo
aos poucos, e isso é sempre legal. De início fiquei naquela besteira
de comparar com Pinheads, e acabei achando o disco regular por ser
bastante irregular. Recentemente peguei pra ouvir novamente e o
cd morou vários dias no meu cd player... canções como "Yes I am",
"Answers" e "Live in doubt..." mostram meio que uma evolução ainda
no estilo de som que o Pinheads fazia, mas o disco também tem todo
um lado mais ousado que eu particularmente gosto muito. É uma pena
o Pullover ter acabado também, pois certamente viriam bons discos
pela frente. Enfim, resolvi escrever mesmo pra dar um alô, falar
q vc tem bom gosto e sei lá, trocar uma idéia mesmo... hoje as pessoas
parecem que tem medo de se comunicar, mas eu ainda sou da época
das trocas de cartas e flyers pelo correio, então acho sempre legal
poder conversar com pessoas diferentes. Bom, é isso! Espero que
a gente toque em breve aí por Ctba...pena num poder ser com o Pullover,
mas tá blz hehehe. Abraço
Fábio (INVISIBLES)"
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